Código de Ética

Pode parecer pretensão eu escrever um Código de Ética para a minha atividade (particular) de fotografar mas, embora o título assim o revele, as linhas que se seguem são bem menos que isso, sendo, principalmente, somente um arrazoado do que fui me recordando do que normalmente faço, à medida que ia escrevendo.  A idéia, nesse momento, é registrar para refletir sobre, a posteriori; para ver se não estou fazendo nada errado ou; pior, para ver se penso que estou fazendo certo mas, claramente, não o faço. Assim, tudo indica que esse post vai ter um caminhão de revisões e, paulatinamente, acréscimos. Eu sempre procuro me amparar nas diretrizes abaixo e, desde já, declaro que não compartilho com aqueles clichês, do tipo: "fotógrafo tem que ser cara de pau", "é preferível pedir desculpas depois do que perder a foto", etc. - acho, inclusive, que o Joe McNally escreveu algo similar e relativo a pedir desculpas pela foto não autorizada, no seu "O Momento do Click" - procurei a frase escrita por ele, ipis litteris, mas não achei. Vou procurar mais. Se achar, atualizo, corrijo e dou os devidos créditos - apesar de não concordar.

  1. fotos de pessoas desconhecidas, nas ruas, embuídas de seus afazeres cotidianos: eu nunca tiro fotos sem a permissão delas, se elas estão vendo ou viram que eu estou alí, com uma máquina fotográfica, e se há possibilidade de comunicação entre as partes para pedir autorização para a foto. Essa comunicação pode, inclusive, ser feita por gestos e olhares. Por outro lado, se as pessoas estão distantes, sem possibilidade de comunição entre elas e eu e não percebem a presença da câmera, então, entendo que a foto torna-se permitida. Observe que o atendimento simultâneo aos três requisitos - distância/impossibilidade de comunicação/não percepção do momento da foto - é necessário.
  2. Fotos de pessoas desconhecidas na multidão ou evento público: eu não me importo de tirar essas fotos sem a permissão das pessoas nem tão pouco me sinto obrigado a retribui-las pela contribuição que deram. Nessa categoria, podem entrar quaisquer pessoas - anônimas, famosas, crianças, adolescentes, idosos, pessoas com necessidades especiais, etc.
  3. Fotos de pessoas conhecidas: nessa categoria eu enquadro todas as pessoas para as quais eu aponto a câmera e que interrompem o que estão fazendo para posar para a foto. Nesse caso, eu invariável e anteriormente peço autorização para a foto e retribuo a pessoa com um cartão contendo minha identificação e instruções de como ela pode obter (gratuitamente, obviamente!) uma cópia da(s) foto(s). Vale ressaltar que entram nessa categoria, por exemplo, um desconhecido, que nas ruas eu interpelei e pedi para tirar sua foto - a lógica é que uma vez interpelado, o desconhecido muda de status, tornando-se conhecido, portanto.
  4. Fotos de menores: eu nunca as tiro ou peço para tirar. As exceções ocorrem quando os pais ou tutores pedem para que eu tire a(s) foto(s) ou, conforme exposto no item 2, acima. No primeiro caso, eu tiro por pura cortesia para com os pais e, em hipótese alguma, as fotos são divulgadas para outros que não os que as pediram. Se existe a possibilidade delas aparecerem de forma inequivocamente identificável em alguma cena, eu simplesmente espero que se afastem.
  5. Fotos de animais fora de cativeiro: permitidas somente se não houver qualquer interferência significativa na vida desses animais. Fotos com flash, somente durante o dia, feitas à distância, sem expor o animal diretamente ao clarão do flash. O uso do flash extender é permitido justamente por permitir o uso do flash em uma posição recuada da câmera em relação ao animal. Vigiar o animal para tirar foto de sua rotina pode. Perseguir ou alterar sua rotina de alimentação, criando pontos de ceva, por exemplo, não pode.
  6. Fotos de animais de estimação: somente com autorização do proprietário do animal, sem leva-lo a uma condição clara de stress.
  7. Fotos de paisagens ou fotos urbanas: eu prefiro tirá-las sem a figura humana. Se houver interesse em sua inclusão ou impossibilidade de sua remoção, a pessoa deve restar, ao final, completamente irreconhecível - inclusive para ela. Nesse processo, não me permito usar qualquer programa de editoração gráfica para tornar a pessoa irreconhecível. Se vai ser feito, tem que ser feito na hora, com recursos de ótica, não de software.
  8. Fotos de propriedades particulares, em locais não públicos: uma foto de um carro esportivo na rua, por exemplo, não fere o Código de Ética. Por outro lado, se o carro está dentro da garagem de seu proprietário, nesse caso, há necessidade de se pedir  (e se conseguir) autorização.
  9. Fotos internas de locais públicos - igrejas, museus, estações, aeroportos, etc.: Eu sempre procuro por instruções específicas sobre o assunto. Se existem, eu as sigo. Se não existem, eu procuro por autorização daqueles que aparente ou diretamente zelam pelo patrimônio. Se eles não as têm claramente ou se não os encontro, eu tiro as fotos. Se alguém reclamar, eu paro. Se me pedirem, deleto todas as fotos.
  10. Fotos externas de locais públicos - igrejas, museus, estações, aeroportos, etc.: Eu sempre tiro, sem pedir autorização e procurando não interferir na rotina do local.